Uma dose de vida não-tóxica no seu e-mail. Assine grátis →

Cozinha & Alimentação

Corante artificial faz mal? O que a ciência diz sobre Vermelho 40 e tartrazina

Corante artificial faz mal? Veja o que diz a ciência sobre Vermelho 40 e tartrazina, por que já são rotulados fora do Brasil e como evitá-los no rótulo.

Doces e balas coloridas com corante artificial

TL;DRVermelho 40 e tartrazina já têm advertência obrigatória na Europa desde 2010 e estão sendo tirados de circulação nos EUA pela FDA. No Brasil, seguem liberados, só com aviso de alergia da tartrazina. A ligação com atenção/hiperatividade em crianças existe na ciência — mas é mais sutil do que o pânico das redes.

“Corante artificial faz mal?” não é mais só teoria de mãe preocupada. Tem decisão regulatória de peso por trás — e o Brasil está atrasado nela.

Vou te mostrar o que a ciência realmente encontrou, e como identificar esses corantes no rótulo hoje mesmo.

Os mais estudados: Vermelho 40 e tartrazina

Os corantes sintéticos mais usados em balas, refrigerantes, salgadinhos e cereais no Brasil são:

  • Vermelho 40 / Allura Red (INS 129) — o mais comum em bebidas e doces vermelhos/rosa.
  • Amarelo Tartrazina (INS 102) — está em refrescos, sorvetes e salgadinhos amarelos.
  • Amarelo Crepúsculo (INS 110), Ponceau 4R (INS 124) e Carmoisina (INS 122) completam a lista dos mais usados.

Todos são derivados de petróleo — moléculas sintéticas criadas pra dar cor, sem função nutricional nenhuma.

A ligação com atenção/hiperatividade: o que a evidência mostra

O ponto de partida foi o estudo de Southampton (2007, publicado na revista The Lancet). Pesquisadores testaram, em crianças de 3 e de 8–9 anos, uma mistura de corantes (Amarelo Crepúsculo, Carmoisina, Tartrazina, Ponceau 4R) junto com o conservante benzoato de sódio. Resultado: as crianças que consumiram a mistura mostraram aumento mensurável de comportamento hiperativo, num estudo duplo-cego e controlado por placebo — o padrão-ouro pra esse tipo de pesquisa.

A resposta regulatória veio rápido:

  • União Europeia — desde 2010, todo alimento com um desses seis corantes (Tartrazina, Amarelo Quinolina, Amarelo Crepúsculo, Carmoisina, Ponceau 4R, Vermelho 40) precisa trazer no rótulo: “Pode ter um efeito negativo na atividade e na atenção das crianças.”
  • Estados Unidos (FDA) — em janeiro de 2025, o Vermelho 3 foi banido de vez (ligação com câncer em estudos animais). Em abril de 2025, a FDA anunciou um plano pra eliminar todos os corantes sintéticos derivados de petróleo — incluindo Vermelho 40, Amarelo 5, Amarelo 6, Azul 1 e Azul 2 — trabalhando com a indústria pra tirá-los de circulação até o fim de 2026.

Importante ser honesta aqui: o efeito encontrado é real, mas modesto e varia de criança pra criança — nem toda criança reage. Por isso a Europa optou por avisar no rótulo, não por banir de cara. Já os EUA foram além, banindo o Vermelho 3 com base em risco de câncer, um problema à parte da questão comportamental.

E no Brasil?

Aqui a história é diferente. Desde uma decisão judicial de 2024, a Anvisa exige que a tartrazina venha com aviso de alergia no rótulo — algo como “contém corante amarelo tartrazina, pode causar reações alérgicas.”

Só que isso é uma advertência diferente da europeia: fala de alergia, não de atenção/hiperatividade. A Anvisa só começou, em 2026, um diálogo setorial pra discutir rotulagem de corantes e aromatizantes com a indústria — ou seja, ainda está na fase de conversa, sem nenhuma advertência do tipo europeu no radar por enquanto.

Na prática: os mesmos corantes que a Europa já rotula com alerta e os EUA já estão tirando do mercado seguem soltos e sem aviso extra nas prateleiras brasileiras.

Como achar no rótulo + trocas fáceis

Igual ensino a ler rótulo de cosmético, a lista de ingredientes do alimento também tem código pra decifrar. Procure por:

  • a palavra “corante” seguida de um nome (ex.: “corante artificial tartrazina”);
  • o código INS de três dígitos: INS 102 (tartrazina), INS 110 (amarelo crepúsculo), INS 122 (carmoisina), INS 124 (ponceau 4R), INS 129 (vermelho 40).

Trocas que não doem no orçamento:

  • Suco/refresco em pó colorido → suco natural ou polpa de fruta batida.
  • Iogurte “sabor morango” roxo-choque → iogurte natural + fruta picada.
  • Bala e gelatina coloridas → marcas que já reformularam com corante natural (urucum, beterraba, cúrcuma) — cada vez mais fáceis de achar.
EviteBalas, refrescos em pó e cereais com Vermelho 40, Tartrazina ou Amarelo Crepúsculo
PrefiraVersões com corante natural (urucum, beterraba, cúrcuma) — ou fruta de verdade

Checklist do rótulo

  • Virar o pacote e procurar “corante” ou o código INS 1xx
  • Trocar 1 item colorido da rotina por uma versão sem corante artificial
  • Lembrar: no Brasil ainda não existe o aviso de atenção/hiperatividade que a Europa exige

Você já reparou quantos corantes tem na lancheira da criança? Vale abrir os pacotes hoje e conferir.


Fontes

  • EFSA (European Food Safety Authority) — reavaliação dos corantes azo e exigência de rotulagem desde 2010. efsa.europa.eu
  • FDA (U.S. Food & Drug Administration) — banimento do Vermelho 3 (2025) e plano de eliminação de corantes sintéticos derivados de petróleo. fda.gov
  • McCann et al. (2007), The LancetFood additives and hyperactive behaviour in 3-year-old and 8/9-year-old children in the community (estudo de Southampton). thelancet.com
  • Anvisa — exigência de advertência de alergia pra tartrazina e diálogo setorial sobre rotulagem de corantes (2026). gov.br/anvisa

Conteúdo informativo — não substitui orientação de um profissional de saúde. Em caso de suspeita de reação em crianças, procure um pediatra.

Vida menos tóxica no seu e-mail

Uma dose curta e honesta de vida não-tóxica, quando sai post novo. Sem spam.